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O Eco do Poço
João Martins chegava a Alpedreza quando o sol se despedia no horizonte. O calor do asfalto já desaparecera, mas a aridez do Alentejo permanecia. Cada passo levantava pó, como se o chão gritasse sob o peso dos segredos sepultados.
Na esquadra local, o silêncio só era quebrado pelo ranger da porta quando o agente Lopes entrou. "Inspector," murmura, entregando-lhe a pasta surrada. "Boa sorte." A capa, manchada e ressequida, anunciava os desaparecimentos. Quatro fotografias, quatro rostos que outrora habitavam o aqui e o agora, agora reduzidos a nomes e datas.
De volta à pensão, o quarto esperava-o na penumbra. João atirou-se à cama, o rosto afundado no travesseiro duro, uma âncora contra o que se aproximava. Mas o breu trouxe-lhe mais do que descanso. No sono, uma visão violenta assaltou-lhe os sentidos.
Viu uma rapariga de cabelos escuros ser arrastada para um poço. Tentava gritar, mas a voz era consumida pelo eco. O vento gemia ao redor, sussurrando-lhe sem clemência: "É o eco do mal." João acordou, suado e ofegante, o nome do lugar gravado a fogo na mente: Poço da Azinheira.
Ao amanhecer, sob um céu pastel, decidiu-se a enfrentar a tempestade interna. Entre a lucidez e a insensatez, guiado mais pela urgência do que pela razão, preparou-se para sair. Atravessou a vila deserta, onde as sombras pareciam dançar ao som do seu próprio medo.
Num último sussurro ao alvorecer, sentiu que não se tratava de coragem. "Seja o que for, não estou sozinho," murmurou para si próprio, enquanto o Poço da Azinheira o chamava como um íman.
Na esquadra local, o silêncio só era quebrado pelo ranger da porta quando o agente Lopes entrou. "Inspector," murmura, entregando-lhe a pasta surrada. "Boa sorte." A capa, manchada e ressequida, anunciava os desaparecimentos. Quatro fotografias, quatro rostos que outrora habitavam o aqui e o agora, agora reduzidos a nomes e datas.
De volta à pensão, o quarto esperava-o na penumbra. João atirou-se à cama, o rosto afundado no travesseiro duro, uma âncora contra o que se aproximava. Mas o breu trouxe-lhe mais do que descanso. No sono, uma visão violenta assaltou-lhe os sentidos.
Viu uma rapariga de cabelos escuros ser arrastada para um poço. Tentava gritar, mas a voz era consumida pelo eco. O vento gemia ao redor, sussurrando-lhe sem clemência: "É o eco do mal." João acordou, suado e ofegante, o nome do lugar gravado a fogo na mente: Poço da Azinheira.
Ao amanhecer, sob um céu pastel, decidiu-se a enfrentar a tempestade interna. Entre a lucidez e a insensatez, guiado mais pela urgência do que pela razão, preparou-se para sair. Atravessou a vila deserta, onde as sombras pareciam dançar ao som do seu próprio medo.
Num último sussurro ao alvorecer, sentiu que não se tratava de coragem. "Seja o que for, não estou sozinho," murmurou para si próprio, enquanto o Poço da Azinheira o chamava como um íman.